
Construí um castelo de areia numa praia deserta, esperando ondas que jamais virão. as minhas mãos de oleiro descansam no acre limpo da areia, meus olhos no desterro do além mar. desde pequeno minhas construções são uniformes, imagino palacetes, construo palafitas. o distanciamento do projeto para a construção é fruto da minha inabilidade com a forma. sou mão-de-obra barata, os castelos todos ainda estão lá, nem a maré alta se interessou por eles. procuro o limpo da água, as linhas da mão se dissolvem entre a espuma. as ondas que não levam castelos são as mesmas que planificam a areia da orla sistematicamente. e planificam meus pensamentos enquanto a areia molhada escorre por meus dedos toscos.


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