16 de jul. de 2008

meias palavras


Retirantes, Candido Portinari.

Prefiro as meias estações. Detesto meias palavras. Tenho apreço por sorrisos largos, verdadeiros. Comprei dois quilos de ilusão barata no armazém da esquina, revendi a preço módico, mas com lucro, duas quadras depois. Uso sutileza até para falar em tragédias, abuso de metáforas sem sentido, apenas pela beleza literal da frase. É um falar vazio mas que por vezes se faz necessário, a dureza da vida é muita, camuflo com palavras. As ilusões sempre trazem alento, por isso me desfaço rápido, antes que o previsível ocorra. Ilusões e meias palavras são gomos da mesma laranja. E talvez tenham o mesmo preço. Não se vende meias estações, guardaria dinheiro para comprá-las, venderia todas minha ilusões, meus sorrisos verdadeiros e as metáforas sem sentidos das meias palavras que, embora deteste, falo sem pensar.

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