17 de jul. de 2008

sem titulo



Tenho sede daquilo que ainda nem pus na boca, bebo teus sorrisos sem que olhes para mim. mas tua ajuda eu refugo, não preciso de falsos degraus. os que tenho já são muitos. então não jogues em mim tua caridosa lástima, que tenho planos de não te ouvir. e se por acaso ouvir, não escutarei. continuarei olhando nos teus olhos, mas não quero fazer de tuas palavras a tábua de salvação das minhas agonias. elas por si só se bastam. encontro sossego em meio ao temporal, minha agonia é insípida. mas tenho na boca o gosto do desgosto. e as palavras que digo também. por isso sigo sentado e imóvel, observando mais que do que sendo observado. sentindo mais do que sendo sentido. transito com meus olhos por caminhos internos, conhecidos. mas onde me perco facilmente. quero a solidão dos dias sem sol, quero dias com muita lua. que seja dispensado dos crepúsculos e de muita luminosidade. a umidade da chuva me fará companhia.

2 comentários:

Dakota disse...

Good!

:)

Anônimo disse...

Gostei da parte "que ainda nem pus na boca".. Diz muito pra mim! Amei!